Ein Jahr in Berlin

Hoje faz um ano que peguei um avião e pousei no aeroporto de Tegel, em Berlim.
Desde então não tenho certeza se eu adotei Berlim como casa ou se Berlim me adotou como Berlinerin.
Neste ano muita coisa aconteceu, 4 estações passaram, aprendi muito e fiz muita coisa que eu nunca tinha pensado em fazer. Entre elas morar na Alemanha e aprender alemão.

Mas como é que eu, brasileira, vim parar aqui?

Screenshot_2016-04-12-23-02-08Longa história,  vou tentar resumir no espaço de um post e contar como foi esse primeiro ano em terras germânicas.
A aventura começou quando eu resolvi fazer um intercâmbio em Dublin, Irlanda, para melhorar o meu inglês,  que já era bom, mas não era fluente, os pints que tomei nos pubs do Temple Bar me ajudaram a me tornar fluente. O período em Dublin merece um livro, um post vai ser muito pouco pra contar essa história, que vai ficar pra outro dia.
Enquanto ainda estava em Dublin e já me preparando para retornar ao Brasil, (só quem já morou fora do país sabe como é difícil e como dá vontade de largar tudo e voltar correndo pro seu habitat natural) recebi um convite para visitar Berlim e ir a um festival de música que aconteceria em Maio. Como meu visto em Dublin ia expirar eu tinha que ir pra Alemanha semanas antes do festival e fazer uso da minha permissão de ficar até 90 dias como turista brasileira.
Cheguei em Berlim em meio a uma primavera linda depois de um ano de chuva e vento em Dublin, acampei no festival de música, que era super bem organizado, curti o verão 40 graus berlinense e nunca mais fui embora.
Mas calma! Não estou ilegal,  acabei conseguindo um visto de residência para três anos. Mas claro que nada nessa vida vem fácil, abri mão de algumas coisas e passei alguns perrengues antes de conseguir essa façanha.
Fato é que uma viagem pra um festival de música acabou virando o meu ano de adaptação na Alemanha,  tive que começar a aprender alemão,  lidar com burocracias mil (eita povo que gosta de um formulário e uma regra! ), mudar hábitos, aprender a me locomover em uma nova cidade e começar novas amizades do zero.
Acho que nunca preenchi tantos formulários em toda a minha vida,  tenho sorte de ter um tradutor particular pra estes momentos, toda vez que me deparo com alguma burocracia germânica eu penso que não moraria aqui sozinha. Tenho sorte de uma família alemã ter me “adotado”.

O desafio de aprender alemão

Começar a aprender um novo idioma aos 33 anos não é fácil.  O meu maior problema foi lidar com a ansiedade, eu queria aprender tudo em um mês e já sair falando com os nativos, ignorando completamente que passei anos aprendendo português (e ainda não sei tudo) e anos aprendendo inglês até me considerar fluente.
Com a ansiedade dominada (ou quase) aceitei o fato de que sou humana e preciso de tempo pra aprender as coisas, mas fico bem feliz com o resultado em que cheguei em um período de um ano,  mesmo estando longe se ser fluente já consigo atender um telefonema e me virar na rua sem apelar pro inglês.
Comecei estudando sozinha com uns livrinhos que tinham exercícios e áudio e depois fui fazer um curso de integração que o governo alemão em parceria com as escolas de idioma oferece aos imigrantes. Vou falar mais sobre isso na semana que vem 😉
Acredito que já saber mais de um idioma me ajudou muito a aprender mais rápido alemão. Fiz um post falando um pouco sobre algumas coisas que observei no idioma alemão e que me ajudaram.

Startups

Uma das coisas que me atraiu para me mudar definitivamente para Berlim é a quantidade de start-ups que existem na cidade. Berlim quer ser o vale do silício europeu. Amém! E a maioria das start-ups fala apenas inglês internamente, o que facilita a contratação de imigrantes de todos os lugares do mundo.

Comida

Comida é um assunto complexo aqui, confesso que a comida tradicional aqui não me atrai muito, mas tenho acesso fácil à gastronomia internacional. Berlim tem muito curry wurst com batata, mas também tem muito Döner (comida típica turca-berlinense), tem muito restaurante italiano, espanhol, francês, japonês, chinês, vietnamita, coreano, libanês, africano e mexicano, tem também uma infinidade de hamburguerias, cafés e padarias, muitos destes restaurantes e hamburguerias são veganos, ou seja, se você não gosta de salsicha não precisa se preocupar, você não vai passar fome.
Os pães e doces alemães tem muita variedade e são maravilhosos!
Os mercados são bem distribuídos pela cidade, neles você encontra produtos internacionais, orgânicos e veganos com facilidade e por um bom preço.
Coisas pra ficar atento:
  1. Eles colocam pimenta em tudo, até no molho da salada ou do espaguete, quem não gosta de pimenta tem que ficar esperto com isso e avisar que não quer pimenta ou jalapeños na comida.
  2. Esse povo tem mania de água com gás, se você estiver em um restaurante e pedir água, lembre-se de especificar que quer água sem gás, porque o padrão aqui é com. A galera até tem em casa umas máquinas que colocam gás na água da torneira pra tomar. Sim, aqui pode tomar água da torneira sem ficar doente.

De vez em quando alguém me pergunta se sinto falta da comida brasileira, até sinto falta de um arroz com feijão quentinho, mas também gosto de comer coisas diferentes de outros países e acho que Berlim é um bom lugar pra fazer isso, mas sinto falta mesmo é das frutas brasileiras. as frutas brasileiras, além de mais variadas, são muito mais doces e suculentas do que as frutas que chegam aqui. Tudo bem que aqui estou bem servida de berries e os morangos aqui são maravilhosos, mas só no verão 😦 Mas sinto falta de uma manga rosa docinha, um abacaxi, uma melancia suculenta, água de côco, mamão papaya docinho. Aqui praticamente só tem maçã e banana, não tão doce #chatiada

Bebidas

A Alemanha é famosa pela cerveja, mas também tem muito vinho e sekt. Também há uma infinidade de cervejas sem álcool. Confesso que eu tinha preconceito, mas como este ano precisei largar o álcool acabei experimentando algumas das cervejas sem álcool e gostei. Elas não deixam nada a desejar quanto ao sabor em comparação com as cervejas com álcool, a única diferença é você não fica alegre. Encontrei também uma opção de sekt sem álcool da marca Rotkäppchen (Chapéuzinho Vermelho, fofo).

Médicos alemães

Pavor!!! Acho que ir ao médico em outro país é algo que todo mundo tem um pouco de receio, ainda mais se não for fluente no idioma local. Imagina ter que explicar o que está sentindo em alemão e ouvir as orientações do médico também em alemão?!?!?!
Isso foi algo que tive que superar rápido, mas tive a sorte de encontrar médicos que falam inglês e português por aqui, afinal, Berlim é cidade internacional, cheia de imigrantes.

TV e Rádio

Aqui existe uma taxa de TV e Rádio que cada casa ou apartamento deve pagar anualmente, usando o serviço ou não. O legal é que os canais tem conteúdo online e pude assistir aos jogos olímpicos no Brasil usando o computador. Claro que não entendi nada da narração, a programação priorizou as provas em que a Alemanha competia, mas tudo bem, deu pra ficar feliz com as imagens.

Amigos e família do outro lado do oceano

Pra mim isso é o mais difícil da adaptação, nem o frio intenso nem o idioma difícil são piores do que ter todas as suas pessoas queridas com um oceano entre você e elas. Nem vou me estender muito no assunto pra não ficar deprê e chorar.

Novos hábitos

  • Apreciar os dias ensolarados. Quando você tem sol demais todo os dias você acaba não dando valor. É como na musiquinha do Passenger: You only miss the sun when starts to snow. E sempre que tem um dia ensolarado todo mundo corre pra algum parque ou pra qualquer lugar que possa fazer fotossíntese e tirar o mofo.
  • Checar o aplicativo de clima quando acorda pra decidir que roupa vestir, ou quantas camadas de roupa vestir antes de sair de casa.
  • Ir ao supermercado aos sábados ou sextas porque o comércio fecha aos domingos. Domingo é dia de ficar em casa com a família cozinhando, jogando video-game ou assistindo Netflix.
  • Ir ao supermercado antes de qualquer feriado porque tudo fecha e a cidade fica parecendo o apocalipse zumbi e se você não se planejar corre o risco de passar fome.
  • Passar hidratante no rosto e usar shampoo anti-kalc, a água aqui é cheia de kalc e deixa resíduos nos cabelos e pele. Haja hidratação!
  • Não fazer download de filmes e música na internet, aqui é crime e a internet é monitorada, quem é pego fazendo download de filmes pode receber em casa uma cartinha com uma bela multa de 2 mil euros.
  • Usar o aplicativo da empresa de transporte público pra ver que horas o ônibus vai passar antes de sair de casa pra não ficar esperando no frio.

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Após passar um ano sabático fazendo intercâmbio pra melhorar o inglês e viajando pela Zoropa, me sentindo sem um lar, dormindo em hostel ou dividindo casa com estranhos, com a família e os amigos queridos longe, a única coisa que eu conseguia pensar era: Eu quero ir pra casa.

Pois bem, pedido atendido. Não foi exatamente como eu planejei, mas aqui em Berlim me sinto em casa. Ganhei um novo lar e uma nova família. Após um ano morando aqui, mesmo com os perrengues, as burocracias, as diferenças culturais e o idioma difícil não consigo pensar em outro lugar onde eu gostaria de morar e sei que as dificuldades que tenho agora é apenas uma questão de tempo pra resolver.

Bom… é isso, meu primeiro ano em Berlim foi um ano de muitas mudanças e aprendizado. Que venham muitos outros 🙂

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Publicado por Lili

Leia também www.berlili.wordpress.com

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