WUD Berlin 2017

Todo ano na segunda quinta-feira de novembro acontece o WUD, World Usability Day, evento internacional que acontece simultaneamente nos 4 cantos do mundo e é organizado pela UXPA (User Experience Professionals Association). Até 2013 eu frequentava o evento apenas para assistir as palestras, em 2014 eu entrei para a UXPA-SP e fiz parte da equipe que organizou o evento em São Paulo, em 2015 eu estava morando em Dublin e infelizmente o evento não chegou na pequena ilha esmeralda, em 2016 eu fui voluntária no evento de Berlim e ajudei o pessoal da organização a receber o público e tirei algumas fotos. Em 2017, voltei ao WUD, dessa vez apenas para assistir e saber o que está rolando no mundo UX.

Este ano o WUD Berlim teve uma sala com palestras em alemão e uma sala com palestras em inglês. Os imigrantes que moram em Berlim e amam tecnologia agradecem, obrigada pela inclusão 🙂

Inclusão, foi o tema do WUD 2017 e Berlim escolheu falar sobre o uso da inteligência artificial e da VUI (Voice User Interface) para incluir usuários, sejam eles crianças, idosos, pessoas com algum tipo de restrição motora mesmo que seja apenas temporária, como quebrar um braço, por exemplo, ou ainda, pessoas que estão simplesmente com as duas mão ocupadas e precisam acessar alguma informação em seus devices.

Depois de passar um dia inteiro ouvindo tanta coisa interessante sobre o uso da tecnologia para melhorar a vida das pessoas fica difícil resumir tudo em um post só, mas vamos lá.

Das coisas que mais me chamaram atenção foram os projetos para cidades inteligentes que contam com a colaboração de seus moradores, uso de sensores e mobile data para deixar o tráfego nas cidades mais inteligente, criar novos itinerários de ônibus ou informar aos usuários de metrô qual vagão está mais vazio. Há uma grande preocupação em convencer as pessoas a abrir mão do seu direito de privacidade para melhorar serviços públicos e o quanto de informação é realmente necessária para que os projetos funcionem sem serem invasivos. As cidades inteligentes só podem existir se houver a cooperação dos habitantes.

No geral, todas as palestras do evento levantaram a questão do respeito à privacidade do usuário e o medo que as pessoas têm de serem espionadas através de dispositivos com câmera, microfone e GPS.

Existe uma necessidade de projetar robôs e sistemas de inteligência artificial que sejam confiáveis o que envolve relacionamento com o usuário e contexto de uso.

Outra questão bastante discutida durante o evento foi se os sistemas de inteligência artificial deveriam ou não ter uma personalidade, quanto de liberdade e autonomia estes sistemas e robôs podem ter e se estes sistemas podem ser considerados criativos ou não. Uma coisa meio Blade Runner.

De acordo com o coletivo artístico YQP, sistemas de inteligência artificial não podem ser considerados criativos, mas podem ser usados para dialogar com artistas (humanos) e inspirá-los à criarem coisas novas.

O coletivo YQP criou, junto com o artista plástico Roman Lipski, um sistema de inteligência artificial capaz de reconhecer e reproduzir o seu estilo artístico para criar um número infinito de obras inéditas. Lipski usa essas obras criadas pelo sistema para pintar novos quadros e isso acabou mudando um pouco o seu estilo, deixando-o ainda mais abstrato. Achei um vídeo deles apresentando o projeto em um TEDx.

Durante o evento também se falou sobre as limitações da inteligência artificial e do quanto ainda é preciso melhorar para que os sistemas sejam confiáveis e relevantes, mas uma coisa ficou bem clara, as máquinas podem dar informações complexas ou análises mais rápido, mas as decisões ainda ficam nas mãos dos humanos.

Ich habe keine Angst!

O evento foi fechado pelo Sascha Wolter, evangelista sênior de tecnologia do Amazon. Alexa falando sobre o Amazon Echo e interfaces para voz.

Publicado por Lili

Leia também www.berlili.wordpress.com

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