Zwei Jahre in Berlin

Mais 4 estacões passaram e eu sobrevivi a mais um inverno alemão!

“Os alemães têm seis meses de inverno e seis meses sem verão” Napoleão Bonaparte

O segundo ano foi mais difícil do que o primeiro, isso porque passei de fase no jogo da vida e ganhei mais um membro na família. Eita jogo difícil!

Burocrazy

Passado o encantamento do primeiro ano e o olhar turista os problemas do dia a dia começam a aparecer e acabei me decepcionando bastante com o cartório de Berlim e outros serviços.

A buRRocracia alemã é uma coisa capaz de deixar qualquer um louco. Tudo demora meses. Tudo precisa de mil documentos com mil carimbos e mil selos. Todos com tradução juramentada!

O lugar com o melhor atendimendo aqui é a Embaixada do Brasil, provávelmente porque é território brasileiro dentro de Berlim e cheio de brasileiros trabalhando. Atendimento excelente e rápido. Ás vezes eu vou até lá só pra tomar café e falar com outros brasileiros (é brincadeira, mas dá vontade).

“No fundo de um problema sempre está um alemão” Voltaire

A eficiência alemã

Lidar com berlinense trabalhando não é fácil, a fama de mal humorados se faz verdade quando você precisa comprar algo (fora da área turística) ou precisa de algum serviço. Você entra no lugar e parece que está atrapalhando a pessoa, que sempre tem algo mais importante pra fazer ao invés de falar com você.

A eficiência alemã não passa de uma ilusão. A realidade é que a pessoa tem toda a pressa do mundo pra se livrar de você, não necessariamente resolvendo o seu problema. Aliás, você é que é o problema por estar lá pedindo alguma coisa. E esse tipo de atendimento eu vi no correio, no médico, no dentista, na padaria, no mercado, na loja de cosméticos, na loja de brinquedos, na academia, no cartório, na prefeitura, na copiadora e até na p*** que pariu! A grosseria é tanta que nem tenho mais vontade de sorrir ou dizer bom dia pras pessoas antes de dizer o que eu preciso e todo até um susto quando alguém sorri ou é gentil comigo. Fui contaminada pelo mau humor berlinense, o processo de alemanização está funcionando.

Aprender alemão

Meu novo trabalho 24/7,  como human designer, me forçou a fazer uma pausa nos estudos, mas consegui voltar pra escolinha em fevereiro deste ano. Sem curso intensivo dessa vez, porque a vida é muito curta pra ir pra escola de alemão todos os dias. Não tenho mais pressa, se eu viver bastante eu vou aprender alemão.

Consegui o certificado do B1 que eu precisava e o B2 é tenso.

“A vida é curta demais para se aprender alemão” Richard Porson

Comida

Saudades das frutas tropicais doces 🙂 Aprendi a comprar frutas só no verão, porque no resto do ano todas as frutas são azedas (o mau humor todo desse povo deve ser por isso).

Do resto não reclamo, muito pelo contrário! Os melhores chocolates do mundo estão logo ali no mercado da esquina e não custam uma fortuna. Adoro comer uma currry wurst tomando cerveja. E é muito bom morar dentro da união européia com acesso fácil a vinhos, queijos e doces maravilhosos, mas tudo nessa vida tem um preço e estou pagando brigando com a balança agora.

Bebidas

De volta ao álcool, a graça agora é beber vodka com os russos! Eita povo feliz!

Entretenimento

Pra quem gosta de música, balada, shows e bares Berlim é sem dúvida nenhuma um bom lugar pra estar. A agenda de shows da cidade está sempre cheia e com bandas pra todos os gostos. As casas de shows são muito boas e organizadas. E voltar pra casa de transporte público após um show sem ter preocupação nenhuma não tem preço.

Médicos alemães

Nein! Nein! Nein! Sério! Se você pretende algum dia na sua vida morar na Alemanha dê uma boa pesquisada sobre como funciona o sistema de saúde aqui. É bizarro! Tenho medo dos médicos alemães.

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Desdigitalização

Não sei dizer ao certo se foi o fato de agora ter um lugar para chamar de lar ou se foi o fato de conviver com alemães paranóicos com internet, obcecados com privacidade e traumatizados com a vigilância da polícia da época da Alemanha dividida que me fez deixar de lado os devices e voltar a usar caderno e calendário de papel, ouvir música de CD ou rádio, imprimir fotos e comprar livros de papel pagando com dinheiro. Hábitos que haviam sido abanonados durante a minha fase minimalista. Nem cartão de crédito eu tenho mais.

Amigos e família do outro lado do oceano

Aos poucos vai caindo a ficha de que a sua familia está dentro da sua casa, dormindo no quarto ao lado, mas em alguns momentos ainda é difícil e fico triste como qualquer ser humano.

Novos hábitos

  • Sair correndo pro parque no primeiro dia ensolarado da primavera.
  • No inverno, vestir menos camadas, mas mais quentes.
  • Parar de tingir o cabelo, agora só uso spray colorido pra fazer graça de vez em quando, depois lavo e volto pro grisalho.
  • Assistir seriados com o áudio em alemão e a legenda em português. Tirando o inglês de dentro de casa aos poucos.
  • Planejar onde ir antes de sair de casa pra ver onde dá pra passar e o que dá tempo de fazer usando o bilhete de transporte de 2 horas.
  • Menos arroz e feijão, mais massa e batata. A balança está triste.
  • Notícias sobre ataques terroristas e bombas da segunda guerra mundial encontradas pela cidade já não me assustam mais, nunca me senti tão segura morando em um lugar.

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Confesso, este foi o ano em que eu mais pensei em largar tudo e voltar pra minha terra, mas me caiu a ficha de que não tenho um lugar pra voltar.

A patota da qual eu fazia parte já não existe mais, alguns amigos também saíram do Brasil sem planos de voltar. Eu mudei, todos mudaram, não tenho certeza de como seria uma conversa de bar com as mesmas pessoas de quando eu ainda morava em São Paulo. Perdi o contato com vários membros da minha família, apenas porque eles não usam internet e eu não uso telefone.

Cada vez que leio uma notícia sobre a situação política e econômica do Brasil tenho consciência de que o acaso acabou me levando pra um lugar mais tranquilo de se viver, que afinal, era o que eu procurava quando pisei no aeroporto de Guarulhos em 2015.

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Publicado por Lili

Leia também www.berlili.wordpress.com

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